Entre Senegal e Moçambique: a poligamia em Uma carta tão longa, de Mariama Bâ, e em Niketche: uma história de poligamia, de Paulina Chiziane
Publicado: 18/02/2025 - 16:02
Última modificação: 18/02/2025 - 16:02
RESUMO
Esta pesquisa objetiva analisar a poligamia em dois romances africanos contemporâneos, quais sejam, uma carta tão longa (2023), da senegalesa Mariama Bâ, e Niketche: uma história de poligamia (2021), da moçambicana Paulina Chiziane. Este trabalho parte da hipótese de destacar como as religiões e tradições culturais africanas subordinam as mulheres, como foco específico nas moçambicanas e senegalesas. Em ambas as narrativas, a poligamia emerge como um ponto central. Assim, Paulina Chiziane e Mariama Bâ denunciam de maneira incisiva, as condições em que as mulheres vivem nos seus países, marcadas pelo patriarcal e pelo machismo. Embora a poligamia seja uma tradição cultural remota no continente africano, haja vista a cultura africana tradicional, com a expansão da religião islâmica, a partir do século VII, ela se tornou também uma questão religiosa, fortalecendo ainda mais sua prática. No entanto, a junção dessas duas tradições, cultural e religiosa, conforme a literatura aqui em questão problematiza, tem não apenas fomentado, no Senegal pela religião islâmica, mas também pela cultura em Moçambique. O arcabouço teórico que sustenta esta discussão é composto, principalmente, por Nei Lopes (2008) em História e Cultura Africana e Afro-Brasileira, Amadou Hampâté Bâ (2010) em História Geral da África, Peter Demant (2013) em O mundo muçulmano, Machel Samora (1977) em Educar o homem para vencer a guerra, criar uma sociedade nova e desenvolver a pátria, Stuart Hall (2003) em Da Diáspora: identidades e mediações culturais, Oyěwùmí Oyèrónké (2021) em A invenção das mulheres, Gayatri Chakravorty Spivak (2010) em Pode o subalterno falar, Thomas Bonnici (2007) em Teoria e crítica literária feminista, Valentin Mudimbe (2013), em A Invenção de África. Gnose, Filosofia e a ordem do Conhecimento. Por fim, esta investigação faz-se relevante, uma vez que, para além de jogar luz na violência que as mulheres africanas vêm sendo submetidas em meio a discursos patriarcais retrógrados e déspotas, aposta na literatura como móbil de emancipação.
Palavras-chave: Islamismo. Literatura Africana. Mariama Bâ. Paulina Chiziane. Poligamia
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