O verde e os acordes cromáticos em O Silmarillion
Publicado: 18/02/2025 - 12:04
Última modificação: 18/02/2025 - 12:12
RESUMO
Esta tese de Doutorado, de cunho teórico, interpretativo e analítico, mostra como as cores, em especial o verde, podem influenciar uma narrativa literária, como ocorre em O Silmarillion (1999), de J. R. R. Tolkien, publicado pela primeira vez em 1977. É no contexto de uma Inglaterra pré-industrial do século XIX, de céu acinzentado, que Tolkien encontrou algumas referências relevantes que influenciaram na sua visão de escritor e na formação de seu mundo de Hight Fantasy, Arda. Ele teve contato com um universo colorido, nas narrativas de fantasia de George MacDonald e William Morris, respectivamente Phantastes (1858) e Notícias de lugar nenhum (1892). Esses livros, junto com outros do próprio Tolkien acrescentados no percurso da escrita da tese, propiciam reconhecer vários matizes que perpassam as narrativas de O Silmarillion, o objeto de estudo em questão, numa ótica de cores múltiplas, como o verde, o vermelho, o amarelo e o azul, atuando nos espaços, lugares e tempos, e formando acordes cromáticos que interferem tanto na materialidade do mundo, de sua gênese até o final da Terceira Era, quanto no psicológico dos personagens, influenciando suas decisões. A pesquisa comprova como a cor verde ganha importância progressiva, na medida em que os Ainur elaboram a criação do universo e, especificamente, de um mundo, Arda, dotando-o de todas as formas de vida possíveis, vegetais e animais, promovendo divisões das regiões, elaborando espaços para as várias espécies humanas, desde as mais próximas de Ilúvatar. Ela também acompanha os êxodos dos elfos da Terra-média até Valinor, momento de seu retorno para suas cidades nas grandes florestas ou em áreas montanhosas, até as criaturas mais simples em suas vilas idílicas, como no caso dos hobbits, em que a cor verde projeta uma soma de sentimentos que marcam a narrativa sobre eles e toda a vida nesse mundo. Os registros desses tempos passam de descoberta arqueológica para o sentido dos conhecimentos que emergem da cor verde enquanto objeto atuante nas narrativas. Para tanto, o embasamento teórico se constitui de autores de diferentes áreas, como: estudiosos das cores e de seus simbolismos, a exemplo de Karen Haller (2022), Eva Heller (2022), Michel Pastoureau (2017a, 2017b, 2019, 2023), J. W. Goethe (2011), John Gage (2012) e Donis A. Dondi (2003); autores de teorias narrativas, como Paul Ricoeur (2014), Antonio Candido (2007), Tzvetan Todorov (2014) e Carlos Reis (2018); pesquisadores da obra de Tolkien, como Karen Wynn Fonstad (2004), Lin Carter (2003), Humphrey Carpenter (2018), John D. Rateliff (2011) e Ronald Kyrmse (2003); autores do Fantástico e de High Fantasy, como Rosemary Jackson (1981), Farah Mendlesohn (2008), Dimitra Fimi (2018), Brian Attebery (2014), Alberto Manguel e Giane Guadalupi (2001) e Alberto Manguel (2003), entre outros. A conclusão obtida é que as cores, sobretudo o verde e o vermelho, representam palavras e ações, espaços e lugares, sentimentos e a falta deles, pois elas estão por toda parte e possíveis de serem percebidas. A pesquisa aconteceu com o fito de buscar relações entre a construção do mundo diegético da High Fantasy e a composição de cores que ajudam a formar os quadros descritos em O Silmarillion.
Palavras-chaves: Tolkien; Fantasia; Cores; Luz; Escuridão
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