Reverberações de Sade Imaginação perversa e literatura - Prof. Dr. Fábio Figueiredo Camargo

por Rodrigo Valverde Denubila
Publicado: 18/07/2026 - 13:18
Última modificação: 18/07/2026 - 13:18

O projeto propõe uma análise crítica de narrativas literárias que exploram a perversão como elemento estético e temático, a partir da influência do Marquês de Sade. A pesquisa parte da constatação de que, desde o século XIX, a literatura tem incorporado personagens e situações que desafiam normas morais e sexuais, muitas vezes inspiradas na obra de Sade, cuja “imaginação perversa” se tornou um paradigma para a representação do desejo desviante. A proposta não busca patologizar a perversão, mas compreendê-la como um recurso literário e simbólico que permite a criação de textos que subvertem normas sociais, morais e estilísticas. A “imaginação perversa”, nesse contexto, é entendida como a capacidade de fabular o inominável, de representar o que é considerado tabu, e de construir narrativas que desestabilizam convenções sobre sexualidade, corpo e identidade. A pesquisa se distancia da abordagem psicanalítica tradicional, focando-se na apropriação literária da perversão como forma de expressão artística e crítica social.

O corpus da pesquisa inclui obras de autores como Álvares de Azevedo, Emily Brontë, João do Rio, Georges Bataille, Jean Genet, Wilma Azevedo, João Silvério Trevisan, Bernardo Carvalho, Yukio Mishima, entre outros. Esses escritores são analisados por sua capacidade de criar personagens e tramas que encarnam práticas sexuais dissidentes, desafiando os limites entre erotismo, pornografia e obscenidade. A literatura, nesse sentido, torna-se um espaço de experimentação estética e política, onde o desvio é não apenas temático, mas também formal. O embasamento teórico do projeto é amplo e interdisciplinar, envolvendo autores como Michel Foucault, Elizabeth Roudinesco, Robert Stoller, Eliane Robert Moraes, Paul B. Preciado, Judith Butler e Javier Saez. Esses pensadores contribuem para a compreensão da perversão como construção histórica, cultural e discursiva, e para a análise da linguagem como espaço de resistência e subversão. A teoria queer, em especial, oferece ferramentas para desestabilizar categorias fixas de identidade e desejo, permitindo uma leitura mais inclusiva e crítica da literatura.

A justificativa do projeto reside na necessidade de ampliar os horizontes dos estudos literários no Brasil, incorporando obras e temas marginalizados, e promovendo uma reflexão crítica sobre os limites da representação e da normatividade. Ao investigar a “imaginação perversa” na literatura, o projeto contribui para o debate sobre liberdade de expressão, diversidade sexual e o papel da arte na construção de novas sensibilidades.

Temas para Orientação: Os autores citados no resumo do projeto; Literatura e sexualidade; Revisões do cânone; Literatura e homoerotismo.